quarta-feira, 07 de Abril de 2010
VIVER 10 ANOS...
Viver 10 anos...
Se pudesse, pediria a D-us que me permitisse voltar atrás. Não por arrependimento, pois certamente não o tenho, mas para poder vivenciar cada minuto, cada poema, cada lágrima, cada esperança acompanhada de sonhos, cada vontade adolescente, cada descoberta (coberta pelas almofadas), cada apagar das luzes do corredor, cada sentimento e cada suspiro...
Se pudesse ainda, teria acrescentado ao meu pedido mais manhãs de sol, mais flores, mais museus, mais viagens, muito mais música da muita música que nos fez MAIS! Pediria que pudesse viver mais intensamente teu perfume, sentir teus cabelos secos, molhados, espandongados! Pediria mais sorvete, menos guardanapos...
Ai, se eu pudesse! Teria matado mais aulas na faculdade pra poder estar ao teu lado, teria também te convidado a matar mais aulas... teria trabalhado menos? Creio que sim. Teria na verdade ampliado os momentos de vida ao teu lado... também os de morte, quando meu telefonema não tocou.
Se eu pudesse teria comprado menos ouro! Sim, teria viajado mais... p’ra ter o ouro da tua companhia ao meu lado. Teria enfrentado mais o comodismo da tradição, te raptado sem explicação, teria comprado mais brigas com as proibições e menos discussões com você. Teria feito AMOR muito mais cedo, p’ra te provar que pecado só mesmo o da maçã – não da Eva, mas a de ouro, que carregas no peito: pequei! Não soube morder a maçã...
Mas agora quero é mais 10 anos, depois mais 10 e mais 10 e mais 10 ...
P’ra poder escrever coisas lindas no livro de nossas vidas, p’ra poder aprender com meus erros e poder errar ainda mais... sim errar, porque aprendi que é da persistência que renasce o Amor, é da insistência que vive o Amar. Quero acertos também! Quero saber que é da maravilha de me saber seu que posso ousar dizer: TE AMO PRA TODOS OS 10 ANOS QUE VIEREM E SEMPRE!!!
Postado por Professor Ricardo Augusto dos Santos Martins em 07 de Abril de 2010 às 14:19
quarta-feira, 07 de Abril de 2010
UMA GUARANÁ?
UMA GUARANÁ?
Hoje é terça-feira, dia 04 de dezembro de 2007. Acordei, tomei meu banho e me vesti e irregularmente, não fui às aulas, pois meus alunos já aprovados, não querem nem mais saber se há um professor ou se a faculdade ainda existe. O fato é que depois de pronto, encontrei-me com meu amigo, sócio e irmão-por-opção, Dr. Elder, ou ‘Derman, e tendo finalizado algumas alterações e impressões nas diversas petições fomos ao caloroso fórum da Cidade Alta, protocolizá-las, observar andamentos, andanças e as moças que por lá transitam – que não nos ouça minha cunhada-por-opção. Ao fim de tudo, um calor que Deus dava e o Diabo assoprava, decidimos voltar para nossas casas, resolvendo algumas pendências pelo caminho. Mas tudo isso não é importante...
Talvez, o importante seja o fato de que nossas gargantas estavam tão secas, que o que queríamos mesmo não era cerveja, nem mesmo água, a única coisa capaz de saciar-nos naquele momento era o bom e velho Guaraná Americana de Garrafa de Cerveja, estupidamente gelado, como aquele que era vendido nos intervalos da faculdade, na padaria da esquina, onde afogávamos nossas futuras mágoas, por antecipação.
Fato é que aqui, não se produz, nem mesmo se revende Guaraná Americana de Garrafa de Cerveja, fazer o que então? Recorrer a um refrigerante genérico, a um sucedâneo, a uma tentativa medíocre de aplacar a sede. Mas isso também não é importante...
Sem querer, ao pedir o substituto da maravilhosa bebida, deixei escapar: “Moça, me vê uma Guaraná!”.
Muitos podem pensar que cometi um erro de Português, ou vários devido a sintaxe, morfologia, concordâncias, entre outros. Porém, essa frase é latente em minha memória, e, por mais que saiba que o vernáculo não fora bem empregado na ocasião, não posso negar que muito agradou aos meus ouvidos e a minha adoração pela lusitana língua. Não por uma questão de fonética, mas principalmente por afeto, por amor, por saudade.
Volto aos anos oitenta, minha infância triste, cinza, chuvosa, de brincadeiras dentro de casa, de poucos amigos, de uma disciplina de rigor religioso-militar, de surras desmotivadas, de apertos no peito, de sonhos reduzidos... tudo que se não fossem momentos mágicos de descontração e ilusão, de plenipotência imaginativa é bem provável, que minha irresoluta fase adulta seria bem pior.
Bem foi na Rua Marechal, na Doceria Brasil, que pela primeira vez me recordo da frase “Moça, me vê uma Guaraná!”, que na época não era qualquer guaraná. Tinha de ser o caçulinha do Guaraná Champanhe, na garrafinha verde, ainda maior que minha mão, acompanhada de um quibe, apelidado de “bomba” – sutil humor luso-judaico – , já ensaiava meus primeiros passos na vida e mente de gordo, que ainda me acompanha. Sim, regávamos a palavra com “uma guaraná” nas manhãs ensolaradas de nosso inverno azul, quando andávamos pelas ruas do centro, eu e Meu Avô, fazendo o que nem me lembro, certamente comprando alguma coisa a pedido de minha Avó. Aliás, adorava quando estava na Casa deles e ouvia: “Augusto! O, Augusto! AUGUSTO! Compra 300g de...” qualquer coisa servia! Podia ser verdura lá no Carioca (onde registre-se, sempre voltávamos comendo uma caixinha de uvas passas, que nunca pagamos!), podia ser no Lawal (comprando remédio de nariz), na Feira, na Trigofrios (ummm! As bombas de chocolate!), em qualquer ocasião, estava lá com ele, tomando “uma guaraná” entre a tarefa cumprida e o caminho de volta pra casa. Eram poucas as casas de lanche naquela época no saudoso Bairro de São Mateus, mas tanto fazia se estávamos na padaria, no Seu Juca comendo pão de queijo, no pastel da feira, sempre tomávamos “uma guaraná”.
Nem sei ao certo, se tudo era uma vingança contra a Coca-cola, pois meu pai trabalhara lá antes de nos mudarmos para a casa do meu Avô, o interessante é que só tomávamos “uma guaraná” fora de casa, nos parecia proibido tê-la em nosso lar, porque apesar de ter sido descartado da empresa, meu pai ainda nutria certo orgulho de um dia ter pertencido à companhia líder do mercado nacional de refrigerantes, ao que sobrava o repúdio velado de meu Avô.
Bem, tomar “uma guaraná” tornara-se mais que um prazer – era um ato de rebeldia! Enquanto meu Tio rebelava-se com roupas pretas, cabelos longos e rock and roll, mais os acompanhamentos, eu protestava minha indignação, meu descontentamento e tudo o mais tomando minha caçulinha da garrafinha verde e vendo um mundo completamente diferente ao lado mo meu Avô.
O que importa, é que hoje, quase trinta anos depois, não satisfeito com o sucedâneo, passei no supermercado, e comprei alguns salgadinhos e “uma guaraná” da garrafa verde, mas como eu, a antiga caçulinha cresceu, e nessa garrafa de um litro e meio, hoje bebo “uma guaraná” no bico, pra viver, reviver, gostar, sorrir, pra me divertir... contudo, a ternura deste momento, justifica qualquer erro, ou melhor, qualquer falta de sensibilidade gramatical da língua portuguesa do Brasil.
Postado por Professor Ricardo Augusto dos Santos Martins em 07 de Abril de 2010 às 14:18
quarta-feira, 07 de Abril de 2010
PALPITA CORAÇÃO
Palpita coração
Tão intenso, sou(l) intenso, que parece que vou explodir!
A mesmice me toma , como sempre, mas tenho tanto a falar,
Nem mesmo consigo ao pensamento ordenar,
O que desejo mesmo é produzir.
Uma intensidade tão desperta, semelhante a muita cafeína.
Mas tomei apenas uma xícara, mais...
Quero mais, e melhor, quero voltar a falar
Transbordar de mim este recolhimento, esse inchaço de tantos anos.
Vai pra fora, juiz de mim
Inunda o mundo, imundo.
Sempre que quiser me atenda.
Que só penso agora, no fim
Abunda o baú, o fundo
Esrever? Quem me dera!!
Postado por Professor Ricardo Augusto dos Santos Martins em 07 de Abril de 2010 às 14:17
quarta-feira, 07 de Abril de 2010
ORAÇÃO DO QUERER
ORAÇÃO DO QUERER
Quero, que do fundo da minha alma, que o ridículo se ecloda e tome de vez meu consciente,
Quero, de uma vez por todas, enlouquecer, a ponto de não mais suportar e sugar meus lábios para que explodam em sangue;
Quero manchar meus inimigos de outrora, com o ósculo rubro da insensatez e provar que areia combina bem com manteiga e pão,
Quero ainda mais, quero alimentar ilusões, nutrir sonhos, sonhá-los e vivê-los – quero a vida: imensa, larga, soberana...
Quero compartilhar, quero não possuir, quero nem mesmo ser (só?). Somos. Somos muitos! Sou em todos.
Quero arrebentar meu coração, quero me dar, distribuir, quero sol, quero chuva, quero o todo no meio do nada – nado, a favor da correnteza.
Quero o perfume das flores, quero gargalhada de criança que apronta, quero o desafio pela frente, quero tesar e atentar, provocar e gritar.
Quero proteção para proteger, quero não economizar, quero sentar no banco-toco que deixei no meio de onde não há meio de escapar.
Quero semelhança, quero ajudar, quero poder agora deixar e depois... depois pegar. Quero paz de aconchego e o som de passos sobre a brita. Quero uma cachoeira que me acalme, quero madeira e tijolo; e terra e monjolo; e, água, muita água!
Quero a vida só pra ser... ser quem eu já sou e me perder dentro de mim e encontrar pra onde vou, sem me reter, nem mesmo assim!
Quero livros na parede e também pequenos quadros e enfeites, quero a beleza emoldurada, da natureza, em minha janela.
Quero que o sol, lá pelas quatro, venha tomar café comigo, ele de rosa, eu de abrigo, brindando a missão de mais um dia cumprido.
Quero de noite, agradecer a chuva boa que fez crescer a lenha que passo a queimar pra me esquentar.
E de luz mansa, vou vendo então, a plenitude de tudo que há, no anil, marinho e no que já nem tem cor...
Quero agradecer ao meu Senhor, por tudo aquilo que eu já quis, por tanto querer, sem possuir, mas por acreditar no sonho, do que não tenho, que é ser feliz.
Postado por Professor Ricardo Augusto dos Santos Martins em 07 de Abril de 2010 às 14:16
quarta-feira, 07 de Abril de 2010
O ÓBVIO NÃO DE DESCREVE
O óbvio não te descreve
(acróstico aliterado)
Ontem, hoje e outros ocasos,
Onde ouvi sua oração,
Bastava à boa brisa bailar,
Vociferar voando, vazio... sua vez,
Indicando idas, inícios, inconclusos.
Oh! Oásis dos olhos – Obcecado!
Não negava nossa natureza noturna,
Agora, alguém a atraía às alturas,
Ou houve horas, obscuras?
Tudo, todos, totalmente teus tesouros,
Elixir elevando a elegância etérea,
Depois, desertos diáfanos, dentro: dores.
Eu me enganava, e, então, entorpecido,
Supliquei seus sobejos, seus sabores,
Cerejas, certezas, códigos coloridos.
Retorno às rotas recolhendo rastros.
Egoísmo, eus, excêntrica euforia...
Vago, vôo, volto, vulcânicas volúpias,
Enfim, em mim.
Postado por Professor Ricardo Augusto dos Santos Martins em 07 de Abril de 2010 às 14:15